quinta-feira, 27 de outubro de 2011

AMO LO QUE NO TENGO

Ao comentar o conteúdo da sua obra "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada", o grande poeta chileno Pablo Neruda diz que é um livro doloroso, em que fala com aguda melancolia.
Pode haver resumo mais perfeito disso do que estes quatro versos (poema 18)? Isto é arte verdadeira.

No original:
Ya me creo olvidado como estas viejas anclas.
Son más tristes los muelles cuando atraca la tarde.
Se fatiga mi vida inútilmente hambrienta.
Amo lo que no tengo. Estás tú tan distante.

Em português:
Já me creio esquecido como estas velhas âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida, faminta inutilmente.
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

Em Esperanto:
Ŝajne oni forgesas min kiel oldajn ankrojn.
Pli tristas la havenoj en vesper’ albordiĝa.
Laciĝas mia vivo senutile malsata.
Mi amas kion mi ne havas. Vi tiel distas.

domingo, 23 de outubro de 2011

A ESTAGNAÇÃO DO SER

Duas perguntas fundamentais:
Por que morremos?
Por que os relacionamentos se desfazem?
Embora pareçam questões tão diferentes, acredito que há pelo menos uma resposta comum.
Em algum momento da vida a maioria de nós vira uma chave mental e para, estaciona. O (a) infeliz passa a repetir sempre a mesma conversa, as mesmas histórias, deixa de se atualizar, de buscar novas experiências e conhecimentos, não faz novas reflexões. Em suma, acomoda-se e torna-se insuportável, para os outros, em particular, e para o mundo, no geral.
Então os relacionamentos acabam (mesmo que a separação não ocorra formalmente), e um dia a morte chega e lança o ser estagnado em outra dimensão, para que com esse choque desperte e volte a se tornar alguém interessante.