Segundo Alexander Lowen (1910-2008), a principal causa da depressão é a perda da fé. Ele não se referia à fé como conceito religioso, mas como a força primordial que faz o ser se interessar pela vida. Nas suas palavras, há uma epidemia de depressão no mundo porque as pessoas sentem que não há nada para buscar, nada por que lutar.
Ter fé é diferente de acreditar. A crença pode ser abalada por informação e conhecimento, mas a fé não exige verificação, porque se situa em nível mais profundo do indivíduo. Como diz Lowen, "pode-se ter fé contra todas as convicções e essa fé sustentará a pessoa em seus momentos de crise."
É interessante a comparação que Lowen faz entre o egoísmo e a fé. Enquanto o egoísta se interessa apenas por sua imagem, o homem de fé se preocupa com a vida. O egoísta busca poder, para mais longe projetar sua imagem, enquanto o homem de fé busca o prazer de viver e compartilhar a vida. O egoísta é mais sujeito à depressão.
Pena que a fé não pode ser ensinada. Como disse Lowen, "não se pode dar fé a uma outra pessoa; pode-se compartilhar da fé com outro na esperança de que uma faísca vá avivar as brasas do outro espírito."
Pensamentos
Compartilhando o que entendo ser importante
quarta-feira, 11 de abril de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
AS METÁFORAS DE BOBBIO
“A mosca na garrafa”, “o peixe na rede” e “o labirinto” são três metáforas que Norberto Bobbio (1909 – 2004) utilizou para representar o papel do filósofo ante a humanidade sem rumo.
Aquele que vê a humanidade como uma mosca na garrafa acredita que pode mostrar a ela o caminho, que está ali, evidente, mas que ela não enxerga. O que vê a humanidade como um peixe na rede está tão perdido como ela, incapaz de ajudá-la a escapar da morte. Já o filósofo que considerar estar a humanidade num labirinto sabe que há uma saída, embora, como ela, não a veja. Este não tem a arrogância do primeiro nem o desalento do segundo, mas tem a esperança de com ela encontrar a liberdade.
sábado, 19 de novembro de 2011
SOBRE A LIBERDADE - PROMETEU, LIBERTAD, EMÍLIA
Segundo uma das versões do mito de Prometeu, Zeus, depois de acorrentá-lo como punição por haver roubado para os homens o fogo dos deuses, ofereceu-lhe duas alternativas: continuar prisioneiro, sendo imortal; ou ser libertado, mas tornando-se mortal.
Prometeu escolheu a segunda opção, porque não vale a pena ser imortal e não ser livre.
Lembrei-me disso ao ler uma antologia das tiras de Mafalda, criação de Joaquín Salvador Lavado (Quino). O último personagem criado por ele, ainda durante a ditadura militar argentina, e que parece ser seu alter ego, é Libertad, uma menina minúscula e de personalidade forte.
Vale a pena conhecer as opiniões da pequenina Libertad, através de quem Quino expõe seu pensamento revolucionário, assim como Monteiro Lobato exprimia-se por meio da pequena e terrível Emília.
http://www.todohistorietas.com.ar/libertad.htm
http://www.prodema.ufpb.br/revistaartemis/numero3/arquivos/artigos/artigo_05.pdf
Prometeu escolheu a segunda opção, porque não vale a pena ser imortal e não ser livre.
Lembrei-me disso ao ler uma antologia das tiras de Mafalda, criação de Joaquín Salvador Lavado (Quino). O último personagem criado por ele, ainda durante a ditadura militar argentina, e que parece ser seu alter ego, é Libertad, uma menina minúscula e de personalidade forte.
Vale a pena conhecer as opiniões da pequenina Libertad, através de quem Quino expõe seu pensamento revolucionário, assim como Monteiro Lobato exprimia-se por meio da pequena e terrível Emília.
http://www.todohistorietas.com.ar/libertad.htm
http://www.prodema.ufpb.br/revistaartemis/numero3/arquivos/artigos/artigo_05.pdf
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
AMO LO QUE NO TENGO
Ao comentar o conteúdo da sua obra "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada", o grande poeta chileno Pablo Neruda diz que é um livro doloroso, em que fala com aguda melancolia.
Pode haver resumo mais perfeito disso do que estes quatro versos (poema 18)? Isto é arte verdadeira.
No original:
Ya me creo olvidado como estas viejas anclas.
Son más tristes los muelles cuando atraca la tarde.
Se fatiga mi vida inútilmente hambrienta.
Amo lo que no tengo. Estás tú tan distante.
Em português:
Já me creio esquecido como estas velhas âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida, faminta inutilmente.
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.
Em Esperanto:
Ŝajne oni forgesas min kiel oldajn ankrojn.
Pli tristas la havenoj en vesper’ albordiĝa.
Laciĝas mia vivo senutile malsata.
Mi amas kion mi ne havas. Vi tiel distas.
Pode haver resumo mais perfeito disso do que estes quatro versos (poema 18)? Isto é arte verdadeira.
No original:
Ya me creo olvidado como estas viejas anclas.
Son más tristes los muelles cuando atraca la tarde.
Se fatiga mi vida inútilmente hambrienta.
Amo lo que no tengo. Estás tú tan distante.
Em português:
Já me creio esquecido como estas velhas âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida, faminta inutilmente.
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.
Em Esperanto:
Ŝajne oni forgesas min kiel oldajn ankrojn.
Pli tristas la havenoj en vesper’ albordiĝa.
Laciĝas mia vivo senutile malsata.
Mi amas kion mi ne havas. Vi tiel distas.
domingo, 23 de outubro de 2011
A ESTAGNAÇÃO DO SER
Duas perguntas fundamentais:
Por que morremos?
Por que os relacionamentos se desfazem?
Embora pareçam questões tão diferentes, acredito que há pelo menos uma resposta comum.
Em algum momento da vida a maioria de nós vira uma chave mental e para, estaciona. O (a) infeliz passa a repetir sempre a mesma conversa, as mesmas histórias, deixa de se atualizar, de buscar novas experiências e conhecimentos, não faz novas reflexões. Em suma, acomoda-se e torna-se insuportável, para os outros, em particular, e para o mundo, no geral.
Então os relacionamentos acabam (mesmo que a separação não ocorra formalmente), e um dia a morte chega e lança o ser estagnado em outra dimensão, para que com esse choque desperte e volte a se tornar alguém interessante.
Por que morremos?
Por que os relacionamentos se desfazem?
Embora pareçam questões tão diferentes, acredito que há pelo menos uma resposta comum.
Em algum momento da vida a maioria de nós vira uma chave mental e para, estaciona. O (a) infeliz passa a repetir sempre a mesma conversa, as mesmas histórias, deixa de se atualizar, de buscar novas experiências e conhecimentos, não faz novas reflexões. Em suma, acomoda-se e torna-se insuportável, para os outros, em particular, e para o mundo, no geral.
Então os relacionamentos acabam (mesmo que a separação não ocorra formalmente), e um dia a morte chega e lança o ser estagnado em outra dimensão, para que com esse choque desperte e volte a se tornar alguém interessante.
domingo, 18 de setembro de 2011
A ÁRVORE DA VIDA - FILME
Não recomendo a ninguém o filme “A Árvore da Vida” (direção: Terence Malick; elenco: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain), porque tive vontade de sair antes do fim, de tão entediante. Saí com a sensação de que foi uma tentativa desastrada de americano fazer cinema cult iraniano. Foram duas horas das mais arrastadas da minha vida. Parecia que eu estava vendo um desses power point que chegam todo dia pela internet, mas um power point imenso, sem mouse para clicar e acelerar a apresentação.
Acontece que o filme ganhou a palma de ouro em Cannes, então eu posso estar errado...
Acontece que o filme ganhou a palma de ouro em Cannes, então eu posso estar errado...
terça-feira, 19 de julho de 2011
TAGORE, NERUDA E SUAS AMADAS
Rabindranath Tagore escreveu, no poema 30 de O Jardineiro:
"És a nuvem do entardecer flutuando no céu dos meus sonhos,
e os meus anseios de amor te pintam com as mais variadas formas e cores.
Tu me pertences, minha amada,
e vives em meus sonhos infinitos."
Pablo Neruda fez uma paráfrase desses versos, no poema 30 de Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada:
"No meu céu, ao crespúsculo, és igual a uma nuvem,
e tua cor e forma são como eu as disponho.
És minha, muito minha, mulher de lábios doces,
e vivem na tua vida meus infinitos sonhos."
Ambos amam e sonham infinitamente, mas a diferença está em como cada um expressa a relação entre a vida da amada e dos seus sonhos. Vale a pena ler e comparar a criação poética desses dois artistas geniais.
"És a nuvem do entardecer flutuando no céu dos meus sonhos,
e os meus anseios de amor te pintam com as mais variadas formas e cores.
Tu me pertences, minha amada,
e vives em meus sonhos infinitos."
Pablo Neruda fez uma paráfrase desses versos, no poema 30 de Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada:
"No meu céu, ao crespúsculo, és igual a uma nuvem,
e tua cor e forma são como eu as disponho.
És minha, muito minha, mulher de lábios doces,
e vivem na tua vida meus infinitos sonhos."
Ambos amam e sonham infinitamente, mas a diferença está em como cada um expressa a relação entre a vida da amada e dos seus sonhos. Vale a pena ler e comparar a criação poética desses dois artistas geniais.
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